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O FUTURO DA EDUCAÇÃO

Como educar nossos jovens quando 65% das profissões que exercerão no futuro ainda não existem? Quando se prevê que mais de 50% dos empregos atuais deixarão de existir até 2035. Quando o modelo atual das escolas, baseado em um sistema fabril e taylorista e cujo tempo de ensino tem suas origens na Prússia no século 19, confessa ter sucumbido. Quando o ensino enciclopédico tem sido dizimado pelas tecnologias, provocando uma desilusão coletiva em relação ao ambiente educacional.
 
Quando o fracasso escolar é percebido pela indiferença de alunos a um sistema educacional hoje ausente de significado para os próprios estudantes. E, por fim, quando a inflação dos diplomas corrói o poder de compra educacional. Hoje, estudantes são obrigados a ficar mais anos estudando sem uma equivalente remuneração posterior, confirmando a profecia bourdiana sobre a frustação do processo educacional.
 
Devemos ser honestos: o sistema educacional brasileiro está em crise aguda. Escolho como a melhor definição de crise o momento em que o novo não nasceu a pelo menos aqui a e o velho ainda não morreu. Não há dúvidas de que as práticas escolares que conhecemos e fundamentaram nossa base educacional não atendem mais a exigência de uma sociedade que refaz sua estrutura e reescreve suas necessidades. Basta olhar o que adotam outros países que vêm apresentado melhores resultados educacionais.
Lápis para educação.

Lapidando novos caminhos para educação.

 

Se é fato que educar sempre foi criar autonomia, também o é que em adesão a dois movimentos econômicos importantes a a revolução industrial e a globalização/liberalismo a adaptamos o sistema educacional para prover mão de obra a essa demanda. Na década de 1980, o Brasil priorizou o que chamamos de Steam (ciência, tecnologia, engenharia e matemática), ou seja, o científico hierarquicamente superior à formação humanística. Não por menos, assistimos a um avanço da ciência e da tecnologia no país. Hoje, produzimos sistemas e máquinas extremamente mais eficientes que o homem, e em velocidade muito superior à nossa capacidade de adaptação.

 
Em paralelo, nossas escolas ainda administram o conteúdo enciclopédico, focando no utilitarismo fracionado, incapaz de conectar o todo, de contextualizar. Hoje, nas salas de aula o conteúdo é ministrado de forma compartimentada e isolada, resultando na atrofia de se montar um quebra-cabeça do conhecimento. Sabemos de química e de biologia, por exemplo, mas temos pouca capacidade de fazer intersecção entre os dois saberes.
 
Alunos viraram estatísticas de qualidade, como peças de fábrica, em que em um quartil reside os melhores; em outros dois, a média; e no último quartil, os “problemáticos”. Permitimos etiquetar jovens em escala, esquecendo a origem da educação e a amplitude da condição humana. Mais: desprezando suas idiossincrasias e, portanto, seus talentos únicos.
 
Optamos por testes que avaliam a média, mais voltados à decodificação de problemas prévios do que efetivamente a pensar, a enfrentar o opaco. Ser inteligente significou ter habilidade sob demanda. Ou seja, saber fazer algo em tempo predeterminado, em oposição a ver o que é o essencial, ter habilidade para lidar com a incerteza. Honestamente, celebro a falência do sistema atual educacional e espero ansiosamente pelo seu velório.
 
Mas que o encerramento do atual sistema seja acompanhado da gestação de um novo Iluminismo, capaz de formar cidadãos aptos a desenvolverem seus dons e a contribuírem com todos, na medida em que buscam a sua felicidade e a do próximo.
 
A nós a macroeducadores, profissionais de educação, estudantes, pais de alunos e governo a, cabe atuar na construção deste novo modelo educacional, focado em dar autonomia aos indivíduos. Que a nova formação seja capaz de formar cidadãos capazes de pensar livremente, de realizar a crítica inteligente, de lidar com incertezas e imaginar. Afinal, a imaginação e o lúdico é que fazem a ponte entre o real e o que pode ou deveria ser. É a partir da criatividade que surgem empreendedores, escritores e inovações. Ou seja, tudo aquilo que permite e promove o crescimento econômico e cultural de uma nação.
 
Essa é a educação que fará diferença na formação de nossos jovens, garantindo um lugar na sociedade e um futuro promissor. Futuro esse que é já o presente, haja vista a mudança a ainda tímida a nas exigências de exames vestibulares, com conteúdos mais voltados à formação humanística e às competências socioemocionais. Precisamos com urgência ampliar essa visão para mais escolas, públicas e privadas, afim de que possamos preparar nossa sociedade para a construção de uma nação que exerça protagonismo no futuro que se apresenta.

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