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Qual a melhor maneira de dizer “não” no trabalho?

Dizer “não” a um colega pode ser duro, especialmente quando você realmente quer dizer “sim”. Mas recusar solicitações se faz necessário quando se deseja gerir um negócio inteligente e eficiente. Portanto, qual a melhor maneira de dizer “não” no trabalho? 

Gostaria de começar com um aviso. Não importa quanto tempo de experiência você tenha, ou o cargo que você ocupa, dizer “não” sempre é algo difícil para qualquer pessoa, obviamente para alguns mais e para outros menos, mas sempre é algo incômodo. Portanto, não se sinta frustrado ou fraco pela sensação de desconforto em dizer não. Isso é absolutamente normal e, com o passar do tempo, e com o uso de algumas dicas que enumero nesse artigo, as coisas irão se tornar menos penosas.

De fato, o “não” se torna difícil, pois significa, subliminarmente, uma imposição de limites. Não importa se o pedido é por um aumento de salário, promoção, mudança de setor ou mesmo um simples favor. O não representa um limite sobre qual o outro não pode avançar e por isso nos causa tanto incômodo; temos dificuldades em pôr limites, pois temos dificuldades em aceitá-los.

O fato é que existem algumas variações possíveis por detrás de qualquer demanda, mas as que trazem mais constrangimento na sua negação são: (i) quando a empresa / responsável pode atender, mas o funcionário não merece, e, no entanto, acredita que mereça (ii) quando a empresa não pode atender e o funcionário efetivamente merece e, portanto, é um risco negar pois podemos perder alguém diferenciado.

No meu histórico profissional, essas foram as duas situações em que me foram mais difíceis dizer o não.  A primeira ocorreu quando um determinado executivo pleiteou um cargo mais amplo, a empresa precisava ocupar uma função, podia pagar, mas claramente, ele não era a pessoa.

A dificuldade no “não” se apresentava, pois é natural identificar-se com os problemas pessoais ou as ambições envolvidas e os planos que são desenhados e divididos com você. Não é apenas que você se coloca no lugar dele, você se identifica, o que psicanaliticamente, significa se confundir com alguém, você se projeta naquela situação e entende perfeitamente os pontos colocados, mas o fato é que faltam requisitos a serem preenchidos e o pior é que o demandante não os reconhece como importantes ou minimiza a dificuldade em obtê-los.

No segundo caso, a legitimidade da demanda, seja um aumento ou promoção, é total, há mérito, há os requisitos, mas existe uma limitação corporativa.

Como então definir esses limites e reverter as expectativas?

Sugiro, para isso, seguir um roteiro com três itens que facilitam o processo:

  • Escreva princípios ou razões conceituais.

Seja para uma promoção ou aumento de salário, escreva uma série de itens ou critérios que são esperados para aquela situação de forma objetiva, incluindo o momento da empresa e o da pessoa. Detalhe o que é esperado e como aquela pessoa pode superar a barreira no futuro. O que tem de ser feito ou a maneira de agir.

Evite micro exemplos, trabalhe com requisitos conceituais, evitando pequenas discussões e se prendendo a exemplos excessivos.

  •  Distancie-se

Comente sempre como um observador externo, alguém crítico, uma visão de fora. Não se deixe ser atraído para o centro da situação ou para uma visão interior, evite se colocar no lugar da pessoa e se seduzir por argumentos emocionais. De fato, todos nós temos problemas e somos sensíveis às angústias e temos de ter cuidado e preocupações com nossos times, mas não somos as soluções para todas elas, então tente não se envolver mais que o necessário, mantenha certo distanciamento e baseie sua argumentação em princípios. Explique claramente os motivos para o “não” e como ela, ao longo do tempo, pode superar tais barreiras.

  •  Não aceite a realidade como ela é apresentada

É natural que, para pôr a questão, seja apresentado determinado entorno, cenário ou ambiente. Uma lógica estruturalizante do discurso será montada e os benefícios da decisão favorável serão apresentados. Pois bem, não assuma como verdadeiro esse cenário, as pessoas são dominadas por suas necessidades e se iludem com a força dos desejos. Criam cenários mais otimistas que os de fato e reinterpretam acontecimentos em uma espécie de ilusão retrospectiva, como diria Bourdieu. Fuja dessa armadilha, seja fiel aos princípios e às limitações que a pessoa apresenta. Contraponha o cenário e volte para sua lista inicial.

Assim, além de ser mais fácil dizer o “não”, ele parecerá mais justo e construtivista.

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